Ouçam a voz do bêbado!

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Por José Barbosa Júnior

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Era um domingo à noite. Em uma grande igreja o pastor falava sobre o CD que o ministério de louvor estava por lançar (toda grande igreja hoje tem que ter um CD gravado pelo ministério de louvor). Foram mais de 20 minutos conclamando o povo a participar da gravação do CD, afinal era fundamental a participação de todos na produção daquele marco da vida daquela igreja. E já se passavam quase meia hora de anúncios sobre a gravação do CD quando um senhor, tido por muitos como bêbado, soltou um grito que ecoou pelo templo e pelos corredores da igreja: “Para de falar sobre CD, e prega a palavra de Deus!” O pastor pediu que retirassem aquele senhor… e continuou a falar sobre o CD.

O caso acima não é fictício. Infelizmente aconteceu em uma igreja no interior do Estado do Rio de Janeiro. Eu estava presente; ninguém me contou.

O descaso pela Palavra de Deus – e eu já tenho dito muitas vezes – se tornou o pior dos males trazidos por essas novas ondas que insistem em entrar em nossos arraiais. As experiências, as novidades e a música têm tomado o lugar do ensino coerente das Escrituras e, por conseqüência, de uma vida sadia à luz da Palavra de Deus. Não que a música não seja importante. Sou músico. Ouço música o dia inteiro (confesso que não consigo ouvir muito as músicas “evangélicas”) e sei de sua importância na vida da igreja, mas nunca em detrimento da Palavra.

O bêbado tinha razão naquela noite. O afã de ter o nome da igreja entre aquelas que já tem CDs gravados, como se isso fosse fator determinante de sucesso em ministério, fez com que aquela igreja esquecesse da pregação das Sagradas Escrituras e mergulhasse na busca de reconhecimento externo de um ministério falido internamente pelo esquecimento do alimento principal, pois nem só de pão, circo eclesiástico e CDs vive o homem, mas de toda Palavra que procede da boca de Deus.

A música deixou de ser um meio para ser um fim em si mesma. Hoje o principal não é se a música tem conteúdo bíblico, se ela aponta para uma realidade exterior a ela mesma, mas se ela encerra em si o produto final daquilo a que se propõe: entretenimento e emocionalismo. Daí as incansáveis repetições-mantras a que somos submetidos ou o palavrório extático-sentimental dos “levitas” que em seus jargões decorados querem levar o povo a uma catarse coletiva de suas frustrações por seu cristianismo raso.

A música não existe mais como elemento mediatório (no sentido de ser meio), educacional ou até mesmo existencial equilibrado. Ao invés da música nos enlevar a Deus ou ao conhecimento de suas verdades (há uma função didática na música), ela nos enleva ao seu próprio mover, o da música. Não é de se espantar que muitas de nossas produções são extremamente parecidas com as músicas hoje conhecidas como “New Age”. São músicas que nos enlevam em si mesmas, sem a necessidade de que nossa mente funcione, anulando qualquer espécie de culto racional e nos levando a uma espécie de “estado alfa”, onde após isso, qualquer coisa que se fale toma ares de verdade absoluta, pois a mente já deixou de trabalhar e se rende à manipulação mau-caráter dos líderes sem-caráter do povo “evangélico”.

Ao invés de declarar a glória de Deus ou ensinar verdades acerca de Deus e do próximo, nos levam à repetição infinda de fórmulas insanas, sem pé nem cabeça, chamadas covardemente de “cânticos espontâneos”, ou como preferem alguns, “cânticos novos”. A pergunta é: como entoar cânticos novos, espirituais e verdadeiros se já não há mais conhecimento naquilo que se canta? Nem conhecimento humano, racional, nem conhecimento bíblico,e aí estamos entregues às heresias e descaminhos dessa trupe de “levitas”.

Não sou radical como muitos querem. Gosto de cânticos alegres, de aplaudir ao Senhor, de levantar as mãos, gosto de ritmos variados (sou brasileiro, quero louvar a Deus com samba, baião, chorinho, e essa mistura sonora que nos é peculiar), mas não abro mão de que meu louvor seja verdadeiramente espiritual e espiritualmente verdadeiro.

Que eu cante com o espírito sim, mas também com meu entendimento e que a música ocupe o seu lugar, sempre inferior à Palavra de Deus.

Parem de falar de CDs e falem da Palavra. Ouçam a voz do bêbado! Ele teve mais conhecimento e discernimento da verdade que muitos pastores e “levitas” por aí…

***
Fonte: Crer é também Pensar

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4 COMENTÁRIOS

  1. Muito Bom! Muito bom mesmo é disso que precisamos em nossas igrejas Palavra de Deus….chega de muito louvor (não tenho nada contra o louvor mas sim contra o demasiado tempo dado ) e pouco à palavra de Deus. Bom será que vai ter que aparecer um bebado como esse am cada Igreja que não valoriza a Palavra? Se for para acordar estes Pastores bom seria acontecer isso mesmo. Quem sabe um “Avivavento de Embriagados” rsrsrs.

    Um abraço.

    Uilson Camilo.

  2. Léo esse negócio de guardar fotos da época que você bebia já não era legal, agora, postá-la, para com isso meu irmão!!! (Brincadeira Léo, pode postar sim!!!!) Brincadeiras à parte, uma coisa é certa, tem-se dado muito tempo não só para o louvor, mas também para políticos, marketing… mas para a Palavra de Deus só o tempo que sobrar, quando sobra. O louvor é uma bênção na igreja mas ele não está acima da Palavra, o louvor é a palavra cantada. Em nossa igreja o tempo que nós damos para o louvor é o mesmo tempo que nós temos para pregar, e as vezes a mensagem vai muito além do tempo do louvor.
    Parabéns pela foto e fique na Paz!!!
    Pr Silas

  3. Que triste! Estamos perdendo o foco, a transformação de vidas, o amor pelas almas, a busca por Cristo… e o que está nos sobrando? Um capitalismo desenfreado em nome do autocrescimento eclesial!

  4. Hoje é mais um dia em que eu saio por aí, pela cidade,
    Vou andando, atravessando ruas, entrando em igrejas, procurando por Ti
    O que fizeram contigo, meu amado DEUS!

    Entro em uma igreja, que se diz que sobre ela foi fundada sua igreja
    Vejo seu filho ainda pregado na cruz, cravado de espinhos, ferido seu lado,oh!JESUS

    Vou seguindo, vejo ao longe vozes, entro, não sou notada;
    esta igreja não tem imagens, mas está tão vazia, tão fria, apesar de verão, todos usam casacos de frio

    As vozes não falam umas com as outras, não vejo as notas se encontrarem,
    Não vejos as pessoas se olharem, nem vejo mãos se tocarem, muito menos braços se abraçarem

    Falam de fogo, o único fogo que pode acontecer no lugar é alguém acender uma fogueira de madeira com um fósfora, certamente, esta seria a única maneira de se aquecerem.

    E eu ao entrar naquela igreja tive a certeza de ter visto escrito em algum lugar: Igreja de Cristo.

    Saí triste de volta para minha perigrinação,
    buscando o ESPÍRITO SANTO em meu coração,
    Clamando, implorando ao Senhor meu DEUS por perdão
    Cantando ao Senhor esta oração.

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