Sobre as eleições convencionais da CGADB – reflexão

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De todos os blogueiros assembleianos, eu fui um dos poucos que não escreveu absolutamente nada sobre a 39º AGO. Antes, me limitei a ler as postagens, quase sempre falando mal deste ou daquele candidato, sem nunca mencionar suas virtudes. Houve muito sensacionalismo. Certo pastor assembleiano publicou uma “notícia”, que recebeu por telefone. Segundo ele, um amigo (que ele não revelou o nome) disse que os pastores de uma determinada região (que ele não revelou qual é) estavam sendo ameaçados de punição, caso não votassem. Ele também não quis revelar o autor das ameaças: faltou-lhe coragem para dar nome aos bois.

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Verdade seja dita: quase tudo que se falou sobre a AGO de Vitória – ES, foi puro Jabá: bastava incluir a sigla CGADB no título da postagem para garantir sucesso nas buscas do google e aumentar o contador de visitas. Conteúdo que é bom, necas! Gostei do artigo do Victor Leonardo, no blog Geração que Lamba. Mas quando parecia que finalmente alguém havia escrito algo decente, censuraram o blogueiro. Parece que o pessoal da “Igreja Mãe” não gostou das idéias do rapaz, e o coagiu retirar a postagem.

De todos os artigos que li sobre as eleições da nossa “querida” convenção, o mais sensato e inteligente comentário foi do Pastor Mark Lemos, que estreou na blogosfera com um artigo com o título “Lamentável!”. Mesmo sabendo que as eleições convencionais serão amanhã, e que a maioria dos ministros estão viajando à Vitória neste exato momento, gostaria de re-postar o artigo do Pr. Mark para a apreciação dos colegas convencionais. Hoje vivo no Peru, país onde sou missionário, e não poderei comparecer às urnas. Mas, para ser sincero, mesmo que eu estivesse no Brasil, não compareceria a esta eleição. É uma vergonha que uma convenção com milhares de ministros, tenha apenas 2 candidatos à presidencia e só duas chapas disputando a liderança. Não, definitivamente eu não iria à Vitória. Dedicaria meu dia a um fim mais nobre, daria um passeio com a família na praça… Mas não iria à Vitória assistir a gladiadores políticos lutando pelo poder. Meus motivos? O Pastor Mark bem os expressa no texto à seguir. Como eu queria ter escrito um texto assim, mas faltou-me experiência e autoridade para opinar sobre tão importante tema:

“Ao escrever essas linhas, é com sentimento de tristeza que reflito sobre a 39ª Assembléia Geral Ordinária da CGADB.

Recebi a notícia de que quase 17.000 pastores inscreveram-se para participar da próxima AGO em Vitória-ES. Confesso que estou triste não pela quantidade de pastores (ministros), mas sim pela aparente motivação que leva a maioria dos mesmos a esta Convenção Geral. Se não houvesse eleições este ano e a AGO fosse convocada para uma semana de reflexão, jejum e oração; ficaria surpreso se o número de inscritos passasse de 2.000.

Nos últimos 2 anos (final de 2006 ao término de 2008) o numero de pastores consagrados subiu quase 50% (dados oficiais). Estas consagrações não ocorreram porque houve a necessidade de mais pastores dado a proporção do crescimento em 50% da denominação. Seria ingenuidade da minha parte crer nisto. Essas consagrações se deram em sua maioria por necessidade de mais votos! Durante a última AGO da convenção a que pertenço, COMADESPE, em Janeiro deste ano, o presidente da CGADB trouxe a palavra devocional no último dia e durante a sua palavra incentivou todos os pastores a irem a Vitória para votarem, dizendo que “apenas perderiam um dia. Sairiam de São Paulo na Quarta-Feira à noite, amanheceriam em Vitória na Quinta-Feira, votariam e poderiam voltar a São Paulo no mesmo dia”. Se este “circo político” não for desarmado, não me surpreenderei se na AGO de 2013 tivermos 30.000 pastores inscritos e realizarmos nossas plenárias no Morumbi, Maracanã ou outra praça de esportes do nosso país.

Dados obtidos extra-oficialmente nos bastidores dos candidatos na campanha eleitoral pela presidência da CGADB em 2007 apontam que mais de 5 milhões de reais foram gastos em função de uma eleição. Se fizermos a projeção para esta eleição os valores passam de 10 milhões de reais. Eu pergunto ao leitor, o que poderia ser feito para o Reino de Deus com todo esse dinheiro? Quantos templos poderiam ser construídos? 150 templos com capacidade para 300 pessoas, abrigando 45 mil crentes. Quantas famílias de missionários poderiam ser sustentadas no campo missionário por 2 anos? Poderíamos sustentar 312 famílias com um salário médio de R$ 4.000,00 mensais. Quantas Bíblias poderiam ser distribuídas com objetivo evangelístico? 1 milhão de pessoas receberiam uma Bíblia gratuitamente. Quantas cruzadas evangelísticas de grande porte poderiam ser realizadas no Brasil? 30 grandes cruzadas poderiam ser realizadas custando R$ 500.000,00 cada uma. Somando-se a isso, muitas outras coisas poderiam ser feitas que produziriam resultados diretos. Mas parece que estes “bons costumes” de evangelizar, construir mais igrejas, fazer missões e ver almas salvas estão em baixa. Precisamos revisitar Atos dos Apóstolos e reconsiderar nossas práticas à luz do propósito original da Igreja.

Sou filiado a CGADB desde 1984 e nos últimos anos tenho observado o caráter extremamente político que nossa convenção tem tomado. A situação e oposição consomem boa parte de seu tempo e energias tentando se manter ou assumir o poder, enquanto questões fundamentais não são abordadas. Com muita rapidez foi formado um Conselho Político que não consegui ate hoje entender sua real finalidade. No entanto, não temos ainda um departamento de Jovens, Infantil e Senhoras. Estes departamentos em nível de CGADB poderiam desenvolver estratégias evangelísticas e oferecer apoio às igrejas da denominação para alcançar este grande segmento de nossa sociedade para Cristo. A maior parte de nossas igrejas tem uma campanha do quilo, mas em nível de denominação não temos um departamento de ajuda humanitária para prestar auxilio a população em momentos de crise e catástrofes, e quando estas acontecem são feitas mobilizações de última hora que surtem pouco efeito e parecem mais uma campanha de marketing denominacional.

Quando surgem divergências de pensamento e opiniões (que ocorrem normalmente em qualquer organização) ao invés de resolvê-las a volta da mesa da cozinha com oração e amor cristão, vamos para a televisão lavar nossa roupa suja em rede nacional, mostrando ao mundo uma imagem negativa sobre a igreja.

O meu desejo para nós pastores da CGADB é que a oração sacerdotal de Cristo se cumpra em nossas vidas (Jo 17)”.

***
Fonte: Blog do Pr. Mark Lemos

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6 COMENTÁRIOS

  1. Tenho visto de tudo, e nem sei mais o que pensar. Não há, como eu tinha pensado inicialmente, um grupo que deseje de fato mudanças profundas na CGADB. O que há, tenho observado, é disputa pelo poder. A igreja que faz a obra de Deus de fato comparece pouco à CGADB. São as formiguinhas que saem do país ou vão para lugares ruins e difíceis fazer missões, os pregadores anônimos, os pastores que nada ganham, e muitas vezes pagam, para ver almas sendo ganhas para Cristo. É realmente lamentável. Tendo a assumir posição, mas reconheço que todos os “lados” estão contaminados pela fome do poder e do dinheiro. É lamentável, mesmo.

  2. AS MARCAS COM QUE SAÍ DA 39ª AGO DA CGADB

    Sou um jovem obreiro da Vinha do Senhor, hoje com 32 anos, casado e pai de um menino lindo. Entrei no Seminário teológico aos 17 anos, conclui aos 20. Fui ordenado ao Ministério com 27 anos, e mesmo antes disso já desenvolvia diversas funções na estrutura da igreja. Sou neto de pastor (tanto por parte de mãe quanto de pai), meu pai era presbítero da igreja (dirigiu várias igrejas), sobrinho de pastor, irmão de pastor… Enfim, sou a terceira geração dentro da igreja. O Senhor me deu o privilégio de ter uma formação Teológica sólida e em escolas de excelente qualidade. Meus diplomas não são comprados pela internet. Escrevi seis livros, publiquei artigos (inclusive no Mensageiro da Paz). Tenho o privilégio de servir ao Senhor em uma excelente igreja com um excelente Pastor presidente e lá desenvolver a vocação que o Senhor me concedeu. Estou escrevendo estas informações pessoais para dizer que, embora jovem, possuo raízes profundas. Talvez quando os meus cabelos embranquecerem, eu olhe para trás e leia este artigo e então perceba que na juventude deveria ter sido mais ponderado em minhas palavras… Mas o fato é que neste momento em que escrevo estas palavras, sentado na cadeira apertada deste avião, percebo que não é somente os espaços diminutos das cadeiras que incomodam as minhas pernas, mas o aperto que sinto no meu coração é mais apertado e incômodo do que estas cadeiras.

    Estou voltando da 39ª AGO da CGADB no estado do Espírito Santo. Volto desta AGO com marcas profundas. Sinceramente, não sei se em minhas orações peço a Deus para que apague estas marcas ou para que as deixe para que eu nunca mais me esqueça do que aconteceu, dos sentimentos que tive sentado naquele auditório. Não seria elegante de minha parte relatar algumas das palavras ditas (bem feias, diga-se de passagem) e nem algumas cenas deploráveis que presenciei.

    Talvez alguém diga: “ele ficou assim porque o vencedor do pleito não foi o que ele votou”. Tenha certeza, esse não é o problema.

    As marcas com que saí desta AGO me dizem que está banalizado o Ministério Pastoral. Todos nós somos pecadores e estamos sujeitos ao erro. Não foram poucos os erros apresentados naquela plenária, sobre tudo em relação a balanços financeiros “maquiados”, informações falsas, e que ficou comprovado. Mesmo assim não houve nem um pedido de desculpas, perdão. Nem uma palavra como: “por favor, em nome de Jesus me perdoem, foi um erro acidental, não uma prática comum”. Nada disso. Pelo contrário. Fomos brindados com uma “pérola”: “isso é prática comum nas convenções e presidência de ministérios”! Só se na convenção ou ministério de quem disse isso!! Na igreja em que trabalho não!!! Na Mesa, nem uma palavra sobre isso. Assistiam a tudo imóveis (pelo menos essa era a impressão que se tinha do plenário); nem um pedido de perdão, desculpas… Talvez para eles pastor pedir perdão não seja ético. No final, 80% da chapa foi eleita. Sem desculpas, sem maiores explicações… mas a culpa não é deles… talvez estejam certos… talvez realmente seja prática comum… a maioria aprovou a continuidade… e uma continuidade a mais de 20 anos… é… talvez realmente seja prática comum. Tão comum que a maioria nem se espanta quando nem uma retratação pública é feita.

    As marcas que saí desta AGO também foram feitas por “cabos eleitorais”. Me perdoem a franqueza, pareciam mais “Pit buls” enfurecidos a berrar nos microfones: “prevaricou, prevaricou, prevaricou!!!” A impressão que tenho é que nunca vou esquecer o olhar, o rosto de um deles vociferando no microfone e em direção a câmera que transmitia as imagens para o telão. Nesse momento alguns de nós se sentiram como “ovelhas no meio de lobos”. Ainda fecho os olhos e vejo aquela face raivosa vindo em minha direção.

    As marcas que saí desta AGO me confirmam que o poder corrompe, e que as pessoas se apegam a ele. Também me diz que Jesus não criou a igreja para ser uma instituição tão poderosa que amizades de anos se percam nesta disputa. Alguns tem a ousadia de dizer que no plenário vale tudo, os nervos se exaltam… Mas do lado de fora não… é… Talvez seja verdade, talvez Jesus só esteja mesmo do lado de fora…
    As marcas que saí desta AGO me fez lembrar das palavras de Jesus: “o que adianta ganhar o mundo intero e perder a sua alma”? Estas marcas me fazem lembrar que perder a alma não é só ir para o inferno. Você perde a alma quando perde a sua família, seus amigos. Você perde a alma quando se vende para a instituição, para a politicagem, para a disputa sem escrúpulos, quando se vende para o poder. Quando isso acontece, os sentimentos se entorpecem, a mente cauteriza… Ganha-se o mundo… Perde-se a alma, perde-se o libertador da vida.

    As marcas desta AGO me fizeram lembrar de um texto do livro “Sete Hábitos das Pessoas Muito Eficazes”, escrito por Stephen R. Covey: “Quando olho para as tumbas dos grandes homens, qualquer resquício de sentimento de inveja morre dentro de mim; quando leio os epitáfios dos magníficos, todos os desejos desordenados desaparecem; quando me deparo com o sofrimento dos pais em um túmulo, meu coração se desmancha de compaixão; quando vejo a tumba dos próprios pais, lembro-me de como é vão chorarmos por aqueles que logo seguiremos; quando vejo reis colocados ao lado daqueles que os depuseram, quando medito sobre os espíritos antagônicos enterrados lado a lado, ou os homens sagrados que dividiram o mundo com suas discussões e contendas, medito cheio de dor e surpresa, sobre a pequenez das disputas, facções e debates da humanidade. Quando leio as variadas datas dos túmulos, algumas recentes, outras de seiscentos anos atrás, penso no grande Dia, no qual seremos todos contemporâneos, e faremos nossa aparição conjunta”.

    As marcas desta AGO me dizem que a sedução do aplauso é vã. As disputas e invejas nos igualam aos homens maus. Para os que entram na corrida por posição e triunfo, não há vencedores, é uma corrida perversa que no fim esmagará a nossa alma. O Reino de Deus é diferente, o maior é o menor; a matemática de Deus é diferente, Ele deixa noventa e nove ovelhas para buscar uma; revira toda uma casa arrumada para encontrar uma simples drácma perdida. Os valores do Reino são superiores, não podemos trocá-los pela moda do dia ou por um poder temporal. Somos chamados a sermos ovelhas.

    Houve um homem na história, filho de um bom pai, educado nos princípios religiosos que seus pais haviam recebido de Deus, mas que não conseguiu compreender os princípios do Reino de Deus. A história não o perdoou. Esse homem é Esaú. A história acusa Esaú de trocar a benção futura por um prazer imediato (Hb 12.16), dando a ele um adjetivo: profano.

    Não sei se vale a pena orar a Deus para que apague estas marcas. Não quero ser lembrado como PROFANO. Quero tentar entender o Reino de Deus. Quero aprender a me arrepender das minhas mazelas. Quero aprender a pedir perdão. Não quero perder a minha alma.

    Eduardo Leandro Alves
    24 de abril de 2009
    eduardoleandroalves.blogspot.com

  3. Isso é realmente uma vergonha, que crentes são esses? Que politicagem barata! Resta deixar um comentário que coloquei no meu blog esses dias:

    Tudo em nome de Deus!

    É interessante a quantidade de absurdos que acontecem em nome de Deus, desde de os primórdios, já existia essa panacéia desvairada no mundo cristão. Analisando o evangelho me deparo com aquela raça de viboras farisaicas acusando uma mulher de adultério em nome de Deus, o fato mais interessante não está na mulher ela poderia até ser culpada, mas o hilário é a acusação deles, justo eles, uma corja de oportunistas e piores do que todos os piores homens, mas faziam em nome de Deus.
    Depois vieram outros vários acontecimentos, inquisições, assassinatos, mentiras, perseguições, escandâ-los, corrupções,e inumeras outras coisas. Mas as coisas tendem a piorar, vivemos um momento de cristianismo hipócrita, é muita coisa teorica, falação,gritarias, emocionalismos, muita pompa, falasse muito em missões, mas não se ama nem as almas do local onde a pessoa vive, megadenominações vivem um isolacionismo tendencioso, cheio de preconceitos e julgamentos maldosos,compraram o céu somente pra eles, o engraçado é que guarda-se a lei em época da graça, prega-se costumes de homens que nem mesmo eles conseguem cumprir, quantas pessoas são arrastadas pelo mundo a fora sendo acusadas como aquela mulher adultera? Tudo em nome de Deus, é uma preocupação exacerbada com observancia de dias, de horas, de roupas, de jeitos e trejeitos, de tanta coisa inútil, mas e o amor em nome Deus? Deus está ficando com o nome mais sujo do que tudo, amar que é bom isso não, pois o amor requer esforço, renuncia, entrega, mas loucuras e tantas outras bizarrices em nome de Deus é mais prático e rende mais!
    Reflita um pouco nisso…

    Diego Oliveira
    jesusmodusvivendis.blogspot.com

  4. Amado Leonardo, eu acho que o comentário do irmão Eduardo Leandro Alves mecere um post. Até porque, muitos dos visitantes do blog não veem os comentários.

    Sobre as eleições da convenção, fico chocado com tanta sujeira. Estão parecendo até os membros do sinédrio que condenaram Nosso Senhor. Não me espantarei se algum dia, eles condenarem alguém à morte de cruz.

    Junior Lima
    Blog Voz do Deserto
    vozdodeserto.wordpress.com

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