Meninos pastores: Estão jogando crianças do pináculo!

6
504
Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

.

Assine o Blesss
Por Leonardo G. Silva – Th.M.

Acabo de ler nas exejegues do Cláudio a notícia acerca do menino de 11 anos, Terry Durham, que foi ordenado a pastor pela própria avó e prega todos os domingos para os 20 membros da sua comunidade. Além de fazer preleções em sua igreja na Flórida, o menino também aceita convites para pregar em outras igrejas.

Casos como os de Terry abundam por todo o mundo, principalmente em igrejas recém formadas e sem uma base doutrinal sólida. No Brasil, temos a menina Ana Carolina, também pastora – que já pregou inclusive no famoso congresso pentecostal Gideões Missionários de Camboriú – e do Jeferson Rodrigo. Aqui no Peru não é diferente: por aqui brilha a estrela de Narareth Castillo, hoje com 13 anos de idade, mas que iniciou no “ministério” aos 3 anos! Recentemente tive a oportunidade de ouvir um outro menino peruano, de 09 anos. Infelizmente não pude gravar o seu nome, mas segundo consta, o nome nesse caso é um fator irrelevante: ele é conhecido mesmo por sua alcunha: Niño predicador.

A “decoreba”, em todos os casos, pode ser detectada facilmente. O uso de palavras empoladas e de jargões enciclopédicos, evidenciam a falta de naturalidade e desmascaram o adulto manipulador (geralmente um dos pais), que faz da criança um mero títere. As razões são muitas, e variam desde a vaidade paterna até a cobiça de ganho material com as “pregações” dos pequeninos, e geralmente o segundo fator tem preponderância sobre o primeiro.

Fico absorto quando vejo a tremenda publicidade que os pastores fazem às custas dos pregadores mirins, dando muito mais ênfase a quem eles são do que ao que eles pregam. Na verdade, trata-se apenas de entretenimento, de uma tentativa desesperada de aglomerar as gentes usando como isca algo fora do comum, de modo que já não é mais Cristo ou o seu evangelho que atrai os pecadores, e sim o ídolo infantil.

Lembro-me de quando, geralmente movido pelo ciúme, eu queria fazer tudo o que o meu irmão mais novo fazia. Após cada “macaquice” que eu realizava, meus parentes me diziam: “Para com isso, Léo! Quando você faz não tem graça, porque você já está velho. O teu irmão é engraçadinho porque é pequeno!”. Vejo o mesmo fenômeno acontecendo nas igrejas hoje: em geral, a pregação de um adulto está fora de moda porque não é engraçada, não é fora do comum, não possui apetrechos circenses, e não atrai multidões. Trata-se de simples preleção. Já quando a criança assume o posto do pregador, aí é diferente: é muito mais engraçado, é bonitinho, é fofo e legal…

Em uma dessas cruzadas promovidas às custas das crianças, o folheto-convite dizia: “Venha ver o menino que só tem “xis” anos e já prega! Se você tem depressão angústia, insônia, depressão, problemas famíliares ou qualquer outro problema, venha hoje às “xis” horas que o menino pregador estará orando por você, e todos os seus problemas se solucionarão!”. Está chocado? Pois assim é a religião do frenesí, do bole-bole, do espetáculo e do anormal. Hoje descobriu-se que o povo quer mesmo é a euforia, de forma que na “igreja” já não há espaço para pregadores ordinários. E não importa se essa criança está matando aulas para pregar, se a pregação foi decorada à força e debaixo de corrêia, e se toda essa pressão e responsabilidade ocasionarão danos psicológicos terríveis no futuro; o negócio é fazer o circo pegar fogo!

Jesus, o Filho de Deus, aparece por primeira vez falando em público no Templo aos 12 anos de idade, mas as estrelinhas mirins de nossos dias começam a pregar com 3 anos! (vide caso Nazareth Castillo). E assim, adultos espertalhões e pastores ambiciosos roubam-lhes a infância e enchem-nas de responsabilidades tão árduas, que muitas vezes nem mesmo adultos conseguem aguentar.

Ainda falando na religião do espetáculo, não pude deixar de mencionar a passagem de Mateus cap. 4, onde o Diabo sugere que Jesus pule do pináculo do templo. “É simples, Jesus: o senhor pula lá em baixo e quando estiver quase se estabacando no chão, aí aparecerão os anjos que, de um modo incrivelmente espetacular, te salvarão no ultimo instante. Assim todo mundo vai crer em ti”. Não há dúvida de que este grande espetáculo da fé atrairia multidões, dando o maior IBOPE para o ministério do Rabí. Contudo, contrariando a tendência evangelicista marqueteira, Jesus não aceitou a proposta diabólica: não era através do pináculo que Jesus pretendia atrair as multidões, mas através do sofrimento na cruz.

Infelizmente, os líderes cristãos de hoje estão promovendo um cristianismo diferente, onde a cruz é substituída por um pináculo, de onde os adultos arremessam crianças indefesas. No afã de reunir multidões, renuncia-se à cruz e apregoa-se o espetáculo. De cima do pináculo, apresentam os pequeninos como oferenda não à Deus, e sim como oferta de sacrifício para uma turba envaidecida e viciada em tudo que é anormal.

Que Deus nos ajude!

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

6 COMENTÁRIOS

  1. Angustiante essa situação. Eu já tive a oportunidade (oportunidade?) de participar de um culto onde um menino, no máximo 12 anos, pregou (pregou?). Para não estender a história, durante a pregação (pregação?) se fechassemos os olhos dava para imaginar que era um tal pastor que faz chapinha no cabelo que estava lá – tirando a diferença na voz, claro – tamanha semelhança na forma de expor a mensagem (mensagem?).

    Em Cristo, amado nosso!

    Danilo Miguel
    http://semforma.blogspot.com

  2. SHALOM!

    1. Amado Pr Leonardo, como bem frisou o sr: é o culto do espetáculo, dos “flashes”, de coisas fenomenais. Essas crianças são colocadas como “verdadeiras estrelas”. Creio piamente que Deus usa as crianças, mas sem esta “imposição” de pais, pastores etc. Permita-me contar a minha experiência. Aprendi a amar a Bíblia muito cedo. Ia sempre a EBD. Aos 12 anos preguei pela 1º vez. Aos 13 já dava aula aos juniores na Igreja Batista. Todavia, ninguém me forço a isso. Isso nasceu no meu coração. Hoje, entendo que era uma chamada de Deus para o ministério. Urge a necessidade dos pais com carinho, temor, e tremor orientar os filhos no caminho do Senhor. Sem querem impor nada a eles. É o Eterno que chama.

    Termino com duas pérolas:

    “Pregadores famosos são feitos em 24h. Pregadores de sucesso, são feitos com o tempo, com o trabalhar de Deus, eles tem trajetória, tem história. Não são como Matias – o apóstolo “cometa” – que logo veio, mas logo sumiu” – Pr Geziel Gomes

    “Leva-se 20 anos para se fazer um homem. Leva-se 20 anos para se pregar uma grande mensagem” E.M.Bounds

    abraços do companheiro, Pr Marcello

    P.s Acesse: http://davarelohim.blogspot.com/ – veja o texto: RESSURREIÇÃO: A MORTE DA MORTE

  3. Isso é o “Efeito Maysa” a criança-adulta, arma do Sílvio Santos para aumentar a audiência nas tardes de domingo, na versão “gospel”.

    Não basta a doença do fundamentalismo fanático atingir os adultos agora estes, não tendo mais em quem reproduzir sua insanidade teológica, contaminam as crianças, que certamente pela precocidade a que estão sendo submetidos a essa perniciosidade, mais a frente formarão verdadeiros esquadrões “talibãs” na defesa da correção de sua “doutrina”.

    Tristes tempos nos esperam no futuro, se não nos levantarmos como verdadeiros profetas da Palavra agora, para mitigar o dano a que seremos expostos daqui para a frente.

  4. Caro Leo, certa vez assisti uma entrevista com uma “pastora-mirim”. Que coisa angustiante…
    Como aquela pobre criança gritava e chorava, durante a “pregação” em evidente desequilibrio emocional!
    Sua agenda lotada mal lhe dava tempo para os estudos, muito menos brincadeiras, (embora os pais alegassem que sim…) Outra coisa que me chama muito a atenção é essa “leva” de jovens pastores, como existem hoje em dia!
    Verdadeiros meninos! Divididos entre o mundo e a fé, querendo agradar a todos, e parecer “normal” (ou seja, não radical)
    Sei que Deus tem o poder de usar a quem quiser, na idade que desejar, mas a imaturidade espiritual fica evidente demais.
    Satisfaz apenas a “fome imediata de algo leve”, não alimenta-nos o espírito.

    Afetuoso abraço, obrigada pela gentileza em publicar meus humildes comentários.

    Tita

  5. Eu ja vi pastores e plenetores famosos pregar oq muitos ja pregaram tambem repetisoes de pregasao em todo o lugar e ninguem fala nada porque as crianças não pudem ,tambem, pelo menos não estão nas ruas usando drogas e quando crescer a palavra ja esta gravada na mente ai eles escolhem.E vcs adultos oque escolhem so falar mal dos outros.Ou é o ganho que lhes encomoda .Deus abençoe vcs.Se os que pregam se criticam como ganharemos os que estao la fora,juizo meninos e meninas

SUA RESPOSTA

Por favor, faça seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui