Lojas de eletrodomésticos e mercado religioso

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Por Ricardo Gondim

As Casas Bahia disputam o mesmo mercado que a Magazine Luiza. As duas lojas se engalfinham para abocanhar o filão dos eletrodomésticos, guarda-roupas de madeira aglomerada e camas de esponja fina. Buscam conquistar assalariados, serralheiros, aposentados e garis. Em seus comercias, o preço da geladeira aparece em caracteres pequenos, enquanto o valor da prestação explode gigante na tela da televisão. A patuléia calcula. Não importa o número de meses, se couber no orçamento, uma das duas, Bahia ou Luiza, fecha o negócio – o juro embutido deve ser um dos maiores do mundo.

Toda noite, entre oito e dez horas, a mesma lengalenga se repete nos programas evangélicos. Pelo menos quatro “ministérios” concorrem em outro mercado: o religioso. Todos caçam clientes que sustentem, em ordem de prioridade, os empreendimentos expansionistas, as ilusões messiânicas e o estilo de vida nababesco dos líderes. Assim, cada programa oferece milagres e todos calçam suas promessas com testemunhos de gente que jura ter sido brindada pelo divino. Deus lhes teria abençoado com uma vida sem sufoco. Infelizmente, o preço do produto religioso nunca é explicitado. Alardeia-se apenas a espetacular maravilha.

Considerando que a rádio também divulga prodígios a granel, como um cliente religioso pode optar? Para preferir uma igreja, precisa distinguir sobre qual missionário, apóstolo, pastor ou evangelista, Deus apontou o dedo. E se tiver uma filha com leucemia aguda, não pode errar. Ao apelar para uma igreja com pouco poder, perde a filha.

O correto seria freqüentar todas. Mas como? Em nenhuma dessas igrejas televisivas o milagre é gratuito ou instantâneo. As letrinhas, que não aparecem na parte de baixo do vídeo, afirmariam que, por mais “ungido” que for o missionário, um monte de exigência vem embutida na promessa da bênção. É preciso ser constante nos cultos por várias semanas, contribuir financeiramente para que a obra de Deus continue e, ainda, manter-se corretíssimo. Um deslize mínimo impede o Todo Poderoso de operar; qualquer dúvida é considerada uma falta de fé, que mata a possibilidade do milagre.

Lojas de eletrodoméstico vendem eletrodoméstico, óbvio. Igrejas evangélicas comercializam a idéia de que agenciam o favor divino com exclusividade. E por esse serviço, cobram caro, muito caro. Afinal de contas, um produto celestial não pode ser considerado de quarta categoria. A “Brastemp” espiritual que os teleevangelistas oferecem vem do céu.

O acesso ao milagre se complica, porque todos mercadejam o mesmo produto. Os critérios de escolha se reduzem a prazo de entrega, conforto e garantia.

Opa, quase esqueci! As lojas, em conformidade com o Código do Consumidor, são obrigadas a dar garantia, mas as igrejas evangélicas não dão garantia alguma. O cliente nunca tem razão. Quando a filha morrer de leucemia, o pai, além de enlutado, será responsabilizado pela perda. Vai ter que escutar que a menina morreu porque ele “deu brecha” para o diabo, não foi fiel ou não teve fé.

Mercadologicamente, Casas Bahia e Magazine Luiza estão bem à frente das igrejas. Melhor assim, geladeira nova é bem mais útil do que a ilusão do milagre.

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Dica do Erik Brito
– Título original: O Filão Religioso
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8 COMENTÁRIOS

  1. O melhor ainda seria, Deus, silenciar sua misericórdia por uma milesimal fração de segundos e na mesma fração exercer o juízo divino, mas como já disse uma vez o conferencista Arno Froese dos EUA, não fazemos a mínima idéia das coisas que pedimos a Deus nos momentos de ira, pois se soubéssemos qual seria a consequencia da reposta divina as nossas petições, simplesmente, não teríamos pedido. Sendo assim, após uma breve e passageira ira, silencio-me e dou graças por Ele não responder a todas as minhas orações…

  2. Shalom!

    1. Amado Pr Leonardo, essa é a realidade de muitas igrejas evangélicas no Brasil. Muitas estão fazendo da igreja um mercado, do púlpito um balcão, do evangelho, um PRODUTO e dos crentes consumidores. Estão vendendo a graça de Deus. Na verdade, não estamos longe da Idade Média. Hoje em vez das indulgências, estamos dando novas roupagens aos produtos religiosos e vendendo nas igrejas! Que o Eterno tenha misericórdia de nós.

    Deus abençoe o ilustre Pr Ricardo Gondim!

    abraços do amigo – Pr MArcello de Oliveira

    P.s > veja o texto que postei hoje: Salmos 1 – Uma exegese.

  3. Olá, Ricardo Inácio.

    Há um provérbio do tempo dos meus bisavós que diz que Deus não ouve a oração do mascate. Vendedores ambulantes de profissão, os mascates sempre oravam pedindo um dia sem chuva. Pobre do agricultor, se Deus atendesse a todos os rogos do mascate, rs…

    Um forte abraço,

    Leonardo Gonçalves

    Paz, Pr. Marcello Oliveira,

    Me entristece saber que você tem razão: ainda não saímos da idade das trevas. Ao invés dos ícones medievais, comercializamos nossos próprios talismãs sagrados; pintaram a tampa do poço, mas a qualidade da água ainda é a mesma.

    Louvo a Deus pelas excessões, como o irmão.

    Soli Deo Gloria!

    Leonardo Gonçalves

    Oi, Fillipe!

    É bom receber comentários de leitores insatisfeitos também. Até a mais pejorativa das críticas pode ser usada a nosso favor. Contudo, o blog hoje abriu com 8 postagens, dentre as quais apenas uma falava acerca dos “telepregadores” da atualidade.

    Será mesmo que a mensagem do Mark Driscoll sobre o sofrimento, as duas postagens sobre ética e aborto, o excelente texto do Levi sobre os rumos do cristianismo através da história, enfim, tudo mais no blog te desagradou? rs… Ou será que é você que só está vendo o que quer (ou melhor, o que não quer) ver?

    Tomara que eu esteja enganado…

    Abraço fraterno,

    Leonardo Gonçalves.

  4. Não irmão Leonardo.Tanto que sempre venho ao seu blog para dar uma olhadinha.hehehe.Mas vejo que muitas vezes quando vnho aqui tem algum texto que no final toos dizem a mesma coisa,sobre esses telepregadores e acho que isso só faz destaca-los ainda mais.Abraço fraterno.

  5. Querido irmão, concordo com o texto acima, infelizmente esta é a instituição igreja que nos envergonha, entretanto, devo salientar que talvez as pedras estejam clamando, talvez nós não estamos fazendo nosso parte, estamos em nossa congregação, nos afastamos de tudo que é heresia e distorção da Palavra. Muitos falam destas instituições sem realmente conhece-las, muitas pessoas são ludibriadas é verdade, mas muitas pessoas realmente são curadas, inclusive membros de nossas congregações que os visitam e testemunham suas graças alcançadas e voltam as suas igrejas históricas. Creio que o poder pertence a Deus, e quem cura ou permite a cura é o Todo Poderoso, não entrando no mérito da questão.Mas o que quero dizer, é que temos falado muito em nosso meio, em nossas EBDs, em nossos púlpitos, onde estas pessoas (membros e frequentadores) – inclusive conheço muitos e sou testemunha de sinceridade – não nos ouvem e continuam sobre o fardo pesado destes pastores (ezequiel 34), a internet tem sido uma benção neste sentido, mas tbm não os atingem…fico a pensar, claro que Deus está no controle, minha oração é que se levante um novo Lutero e confronte de igual esta dolorosa situação, não apenas em artigos e sermões, mas que se levante com força de luta, de alcançar estas vidas, seja pelas rádios e Tvs, um pregador que se coloque não como Salvador da Pátria, mas que Leve a Palavra Genuína e confronte o status quo.Oremos… em paz, e na paz. Deus o abênçoe

  6. Em alguns pontos concordo com essas críticas, imaginem que liguei o rádio para ouvir uma palavra e me deparei com um sujeito que se diz pastor falando em tom choroso , pedindo dinheiro discaradamente, mas todos nós seremos julgados no tempo de deus.

    A paz de deus!!!

    Paulo sérgio

  7. A disputa real é por um pedaço maior no inferno, pois a venda de indulgências nunca foi para ir par o céu e sim para o inferno.

    Pagar o preço para ir pro céu, ninguém quer. E o preço é o que JESUS falou: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI.

    É mais fácil ir pro inferno, do que amar ao próximo.

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