John Wesley “versus” Evangelho da Prosperidade

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Por Daniel Grubba

Richard J. Foster observou que o efeito evangelical do pregador metodista John Wesley foi grandemente acentuado pela integridade de sua vida. “Há registros de que Wesley teria dito à sua irmã, “dinheiro nunca fica comigo. Eu me queimaria se fizesse isso. Minhas mãos livram-se dele o mais rápido possível, para que ele não se encontre seu caminho dentro do meu coração”. Ele dizia a todos que, se ao morrer tivesse mais de dez libras (por volta de 40 reais) consigo, as pessoas teriam o privilégio de chamá-lo de ladrão”.

Um dos biógrafos de Wesley, Mateo Lelievre, nos conta como era a relação deste heroi da fé com o dinheiro e o lucro dos livros:

Ele poupava dinheiro, mas fazia para o bem dos pobres, e não em proveito próprio. Quando consentiu em aceitar o salário da sociedade de Londres, ele mesmo limitou à modesta soma de 30 libras (750 dólares). É verdade que além disso recebia o lucro de venda de seus livros, que às vezes chegava a ser considerável. Mas, depois de retirar o necessário para suas modestas despesas, distribuía o restante com os pobres[…]Sua maneira de viver era tão singela que, quando lhe perguntavam quanto valia seu aparelho de jantar, julgando que um homem tão notável possuía talheres de grande valor, respondeu: “Tenho duas colheres de prata aqui em Londres, e duas em Bristol. Esses são todos os utensílios de maior valor que possuo atualmente, e não comprarei mais, enquanto me rodearem pessoas que careçam de pão”.

Morreu pobre, como prometera a seus amigos, e nada deixou em sua pobreza, senão “uma grande estante cheia de bons livros, uma toga pastoral bastante usada, um nome escarnecido, e… a Igreja Metodista.

Sobre a venda de livros e o lucro, Wesley dizia:

“Alguns livros alcançaram venda superior as minhas expectativas, e com ela fiquei rico sem querer. mas nunca quis ser rico, nem me empenhei por isso. Como tal fortuna, porém, veio-me inesperadamente, não cumulo riquezas sobre a terra, nem entensouro absolutamente nada para mim. Meu desejo e propósito são distribuir de graça o saldo do fim do ano…minhas próprias mãos executarão a distribuição dos meus bens”.

Wesley levou a sério que Paulo disse em II Coríntios 6.3 “não dando nós nenhum motivo de escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado”. Infelizmente, existe uma onda de escândalos envolvendo a igreja, intimamente ligados a atos inescrupulosos de ganância e poder. E ainda tem coragem em falar em perseguição? Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal (I Pe 3.17). São perseguidos porque fazem o mal e reclamam? Aprendam com Wesley a serem integros, e parem de sujar o nome de Jesus.

***
Fonte: Soli Deo Gloria

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4 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente, o cristianismo atual não leva em consideração os homens do passado, verdeiros heróis da fé, que defenderam o evangelho, inclusive, de si mesmos.
    Tal menção de defender o evangelho de si mesmo, soa como um absurdo moral e ético para uma geraçaõ que nasce orfã sem ter conhecido seus pais ou avós, na passagem do bastão eclesial…

    Em todo modo, ainda nos resta uma última esperança! Que leiam, me meditem e se aprofundem no mesmo poço de saber que estes heróis do passado fizeram. Aquilo que chamamos de nossa regra de fé e de prática, a Bíblia.

  2. Paz Ricardo

    Nossos crentes são bem pobres nesse aspecto: não conhecemos nossa história, nossa trajetória, nem aquilo que fizeram os homens de Deus do passado. Falta cultura!

    Se os crentes de hoje lessem apenas um pouco do legado dos crentes de ontem, a cara do evangelicalismo brasileiro seria outra.

    Abraço fraterno,

    Leonardo G Silva

    PS: Estou te devendo o livro; não esqueci ainda…

  3. Provérbios 30

    7 ¶ Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra:
    8 Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume;
    9 Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão.

    Quero para mim cada uma dessa palavras. João Wesley foi vigilante à cerca da riqueza, eu tenho que vigiar à cerca de não ter, mas DEUS é sempre comigo.

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