Cristianismo de marionetes

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Por Leonardo G. Silva – Th.M.
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Estamos vivendo na época dos crentes marionetes. Em um país onde apenas uma parcela ínfima da sociedade adquiriu o gosto pela leitura, era de se esperar que uma religião que demanda fidelidade a um livro – ainda que seja um livro sagrado – encontraria problemas para se desenvolver de forma saudável. É claro que eu conheço as estatísticas recentes que mostram o crescimento vertiginoso dos evangélicos, mas essas pesquisas também nos revelam que a maior parte desse crescimento se dá na ala neopentecostal, em meio a igrejas que exploram ao máximo a fé mística, ubandista, idólatra e xamânica do povo brasileiro – sincretizando essas religiões e condensando-as em uma forma de culto muito diferente do culto racional de Romanos 12, e que por pura teimosia insiste em serem chamadas “igrejas evangélicas”. É claro que essas crenças não passam pelo crivo bíblico, de modo que para sustentá-las não basta apenas distorcionar as palavras da Bíblia: é preciso literalmente abandoná-la para levar à cabo essa religião idólatra, utilitarista e manipuladora.

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Devido à multiplicação dos chamados “movimentos contraditórios” (um eufemismo para seitas), a Bíblia tem sido conservada apenas como acessório, um adorno para o púlpito, mas a bem da verdade, uma peça sem serventia. Cada vez menos se recorre a ela para basear opiniões, de forma que até o conhecido bispo-empresário chegou ao ponto de lançar uma campanha televisiva em favor do aborto, causando gande confusão no meio evangélico. Se por um lado o telebispo foi mais longe que todos os demais, por outro lado precisamos reconhecer que ele não está só: ele fez escola. Muitos telepastores e telepregadores tem seguido os seus passos. Essa semana estava lendo acerca de um telepastor (aquele que faz chapinha, sabe?) que formou uma caravana e se dirigiu para Israel, a fim de queimar os pedidos de oração que os “fãs” enviam para o seu programa. Outro pregador, que já foi um verdadeiro militante apologista, e que batia de frente com os modismos, heresias e falácias neopentecostais, mudou de trincheira e agora defende com unhas e dentes a teologia da prosperidade, preferindo a mensagem de “Vitória em Cristo” do que aquela da “Salvação por Cristo”.

Quero deixar claro que jamais afirmei ser o dono absoluto da verdade, antes anuncio que a Bíblia é verdadeira e me oponho veementemente a esse cristianismo analfabeto. Ora, o cristianismo sem Bíblia é como um casamento sem conjuge! É nela que encontramos a ética do reino, as promessas de Deus e suas demandas, as palavras inspiradoras de Cristo nos evangelhos, a doutrina cristã sistematizada por Paulo e a mensagem apologética de Pedro e Judas. Ela é o maior documento que o cristianismo possui. Ignorar a Bíblia é ignorar os atos de Deus na história da salvação, e conseqüentemente a nossa própria história. Mas infelizmente o que vejo hoje é um cristianismo sem Bíblia, sem Cristo, sem dogma e sem mensagem salvadora. Um cristianismo consumista, capitalista, utilitário, espíritista, relativista e pragmático. Os seguidores desse cristianismo caricato são marionetes nas mãos dos lobos devoradores, sendo constantemente manipulados para o benefício dos líderes que enchem os bolsos com o dinheiro dos “fiéis”, comprando aviões de 30 milhões de dólares, construindo mansões em Campos do Jordão, ou investindo em cavalos árabes “puro sangue”. Enquanto isso, os crentes se prestam aos mais absurdos papéis: banhando-se com sabonete de arruda, participando de sessões de descarrego, fazendo despachos, comprando produtos “made in Israel” e movimentando esse marcado milionário que é a industria da iconolatria evangélica.

É assim que cresce a igreja evangélica brasileira: enferma. Ela é uma igreja obesa, com o colesterol alto e diabetes. É uma comunidade doente, mas não é a única culpada da sua saúde precária. Falharam os seus pastores em administrar-lhe uma dieta saudável, e ainda falham ao dar-lhe veneno em lugar de remédio. É verdade que a igreja evangélica está crescendo, porém esse não é um crescimento saudável.

Quando era criança, me apaixonei por marionetes. Lembro-me que no jardim de infância meus olhos brilhavam durante as apresentações do grupos de títeres. Porém, o tempo foi passando e um dia eu descobri que a voz que eu ouvia não era a voz do boneco: havia alguém escondido atrás da cortina movendo os pobres personagens sem vida. Desse dia em diante, perdi totalmente o interesse por marionetes. Os membros dessas novas igrejas são meros títeres, massa de manobra na mão dos perversos, dominadores e exploradores da fé alheia. São os lobos vorazes que manipulam os bonecos inertes a fim de satisfazer suas necessidades e seus sórdidos interesses. Nossos membros são marionetes: a voz que ouço em suas defesas “apologéticas”, definitivamente não é deles. Já ouvi essa voz antes e aprendi a reconhecer o som por detrás do boneco de madeira. Eles não podem me enganar, pois aprendi cedo (aos 5 anos de idade) a discernir a voz que comanda o sistema.

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10 COMENTÁRIOS

  1. Você não é o dono da verdade e nem precisa ser pra constatar o q relatou no seu post.É exatamente isso q tem acontecido no meio evangélico.O povo repete o que houve e defende,até,muitas vezes heresias e maluquices,por não conhecerem a palavra de Deus.São verdadeiros papagaios.Lamentável realidade.Muito bom o seu artigo.Tudo o que eu sempre desejei escrever,pra alertar o povo,mas não tenho esse dom.Que bom que você traduz essa indignação de um modo tão claro,e, às vezes cômico.Nada que não seja a mais pura realidade.
    ´Deus te abençõe sempre!

  2. Olá Cris.

    Como eu queria estar errado quanto ao conteúdo dessa postagem, mas infelizmente, ambos temos razão. O protestantismo brasileiro contemporâneo mais parece um teatro de marionetes.

    Quanto à escrever, eu acho que posso te dar uma dica: deixe aflorar seus entimentos. Sente-se diante do PC ou de uma mesa com caderno e caneta na mão e faça a você mesmo a seguinte pergunta: O que eu penso sobre ………..? Começe a escrever sua resposta de uma maneira bem relax. Depois disso, dá uma olhadinha no texto, edita ele, e manda pra mim, que eu publico aqui, rs… O principal você já tem: temor de Deus, respeito pela Bíblia e mente crítica. Escrever é a parte mais fácil, rs

    Um abraço;

    Leonardo G. Silva

  3. CARTA AOS CAMELÔS DE AMULETOS

    A “ortodoxia religiosa imediatista” aprisionou Deus em uma instituição, que para vivenciá-Lo, se faz necessário adotar uma série de rituais, tradições e sacrifícios. Esquece que a palavra de Deus se tornou errante, exorbitando o espaço exíguo das mentes petrificadas. Os horizontes curtos dessa visão comercial não permitiram entender o sentido de um Deus feito homem. O cristianismo de fachada, à maneira de um judaísmo disfarçado, tem enveredado por caminhos nunca dantes navegados. As subdivisões institucionais religiosas ditas cristãs são tantas, no intuito de abarcar o “sagrado”, que as pobres almas com sede de justiça, se sentem desorientadas, sem saber onde encontrar guarida, ouvindo de todos os lados mensagens as mais estapafúrdias e inimagináveis, pelo rádio, jornais, televisão e carros de propaganda, que mais parecem a gritaria louca dos camelôs a oferecerem os seus produtos em meio ao tumulto das feiras. Algumas almas aceitam as “verdades” apelativas, dirigidas a elas através de ameaças apocalípticas. Outras, à procura de alívio para as suas doenças, adquirem até sabonetes fabricados com gorduras derretidas de ovelhas de Israel, que lhes são oferecidas publicamente pelos supostos guardiões de Deus. Areias do deserto da “terra santa” são comercializadas, a fim de serem espalhadas pelos cômodos das casas, para afastar maus fluidos. Frascos com águas do rio Jordão, para pingar entre as pálpebras, a fim de tirar a concupiscência dos olhos, entre outras cavilações, que em respeito aos de boa índole, deixamos de mencionar. Executam enfim uma paródia ordinária; abusando dos elementos fascinantes do judaísmo arcaico. É em meio a esta banalização do “sagrado”, que nos vem à lembrança, um Cristo indignado a expulsar os vendilhões do templo. Em analogia ao que ocorria no antigo templo, comercializam réplicas de símbolos judaicos, com supostos poderes de afastar espíritos imundos, à semelhança dos amuletos usados no mundo pagão, enganando multidões de incautos. Este horrendo espetáculo teatral vem transformando o que resta do cristianismo primitivo, em uma mera comédia, que a cada representação, comprova a irreconciliabilidade da mensagem dos evangelhos com os “pressupostos” do Judaísmo ortodoxo.
    Encerro este breve ensaio com as palavras iniciais de Paulo, em I Timóteo 6.11: “Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas…”.

    Ensaio por: Levi B. Santos
    Guarabira, 03 de Dezembro de 2008

  4. Isso é fruto da secularização da igreja, onde o que manda é a lei de mercado, vamos ver, quanto tempo não vemos uma mensagem ser pregada baseada em Mateus 25, onde diz que devemos ajudar os pobres e oprimidos. Cada vez mais as igrejas querem crentes ricos para encherem os cofres eclesiásticos e assim difundir uma ostentação que nunca fez parte do ministério de Cristo, mas sim, de uma filosofia medieval e solomônica de templos cheios de tudo, menos de Deus. Sinceramente hoje vejo Deus mais fora da caixa vazia de nossas igrejas, do que dentro.

    Muito bom artigo, reflete a mais pura verdade.

    Vamos trocar uma parceria com nossos blogs, já coloquei o seu banner no meu.

    Abraços na fé.

  5. Alô Daniel Grubba,

    Esse texto não é novo: na verdade é um dos mais antigos do blog. “Upei” ele para que os novos leitores pudessem ter acesso a essa leitura, já que nos primeiros dias de blogança só eu entrava nessa bagaça! rs…

    Vou ler seu texto assim que puder.

    Abraço fraterno,

    Leonardo G. Silva

    Descanso da Alma

    Topo parceiria sim, só que o teu banner é identico ao da minha esposa, rs… Mas não tem problema: vou lá pegar ele assim que der. Obrigado por ajudar a divulgar meu blog.

    Abraço fraterno,

    Leonardo G. Silva

  6. Olá meu amado irmão e amado pastor Leonardo, graça e Paz

    Certo dia eu disse a você que era assíduo aqui, porém nunca tinha postado comentário.

    Lembro-me de que há muito tempo e não tão longe assim a blogosfera era de recadinhos, imagens coloridas como no Orkut, e o povo cristão ainda não dominava tanto essa meio. Os tempos passaram e hoje vemos uma quantidade não tão grande, pois deveríamos ser mais, mas que pelos menos alguns atuam de uma forma positivamente correta.

    Há pessoas que se dizem apologistas. Dizem que é, que faz e acontece, mas que na verdade é um verdadeiro marqueteiro de seu próprio nome. Por outro lado há aquelas que não se importam com seus cargos eclesiásticos, o importante para eles, é ensinar a Bíblia, pregar Jesus.

    Certo dia conversando com um presbítero na net, falei-lhe que ia colocar o nome dele Pb Fulano em um certo assunto, e ele me falou: “Tire esse “Pb” pois eu não nasci com este nome.

    Tenho admirado a sua forma de expressar, e com uma certa pitada de humor, sem exagero e com responsabilidade, traz e faz o melhor conteúdo. Com uma linguagem simples, aborda o que realmente é necessário.

    Parabéns! São pessoas como você que honra nossa igreja e o nosso povo.

    Seu amigo e irmão
    Lucas M Junior

  7. Leo, já este seu texto, e cada vez que o leio, fico abalada pelo retrato fiel das igrejas em nossos dias.

    Para mim a igreja é um lugar para cuidar do doentes, não para adoecer ninguém, nem fisicamente, nem espiritualmente.

    Tenho um problema de saúde e sempre que vou à igreja, por causa do excesso de barulho, saio de lá mais doente ainda.

    Fico imaginando quantas pessoas idosas vão à igrejas barulhentas nestes dias, e passam mal ao chegar em casa.

    É difícil encontrar uma igreja que não seja barulhenta, todas querem fazer barulho, sejam grandes ou pequenas.

    Mateus 9:12 Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes.

    Queremos ouvir uma mensagem que nos toque e nos leve ao arrependimento, mas onde e como?

    Marcos 2:17 E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.

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