A cruz e o pináculo

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Por Isaltino Gomes Coelho Filho

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Conhecia Helmut Thielicke do livro Mosaico de Deus. Comprei e comecei a ler As tentações de Jesus, também dele. O livro é bom: foram três edições em alemão.

Uma expressão sua me encantou (ouvindo-a, Meacir concordou: “Puxa, que lindo!”): “Deus aproxima-se silenciosamente, sem ser notado por ninguém, entra pela porta dos fundos do mundo, e repousa no estábulo de Belém”. O Deus silencioso! O mesmo Deus que respondeu a Elias contrariando a sua expectativa. Não veio como terremoto, vento despedaçador ou fogo, mas como brisa mansa e suave.

Satanás oferece o pináculo do templo: “Lança-te daqui abaixo”. Que conselho! Na hora do culto, a multidão indo ao templo, Jesus pula e quando vai se esborrachar, anjos surgem e o depositam suavemente no chão. Fantástico! Por que a cruz? Por que o sofrimento? Há meio mais fácil! Se a questão fosse como hoje, atrair gente, o conselho de Satanás seria o melhor. Mas Deus tem seus planos. Ele age de maneira diferente da que pensamos (como com Elias) e muitas vezes no silêncio, como na encarnação.

Por que esperar raios, trovões e fumaças e não ver a mão de Deus no amigo que, sem saber de nossa dor, foi tocado por Deus para orar por nós? Por que não ver a mão de Deus na palavra de um irmão ou do professor da EBD, ou do pastor, que vem ao nosso encontro, nos conforta, lança luz e dirime questões?

Em Jesus, Deus entrou pela porta dos fundos do mundo, à noite, e foi dormir num estábulo. Este é o maior de todos os milagres, a encarnação. O Eterno entrou no tempo, o Infinito entrou no espaço, o Santo veio aos pecadores. Deus é desconcertante! Faz o que quer, quando quer, sem dar satisfações, e não precisa que tomemos atitudes pouco sábias e, algumas vezes, ímpias. Como Pedro, quase matando Malco, à espada. Se Jesus quisesse, o Pai o livraria.

Duas questões são fundamentais. A primeira é quem Deus é. Ele é grande e é poderoso. Pode nos usar, pode se servir de nós, mas não precisa de nós. Saía-se bem antes de nós e quando nos formos, irá bem. Cuidado com cultos e pregações tipo pináculo do templo para promover seu reino. Ele não precisa de estardalhaço (e isto serve para a barulhada terrível de boa parte da liturgia de muitas igrejas hoje!) nem de sensacionalismo. A divulgação do seu evangelho, de seus atos e feitos, vem pelo testemunho, pela vida, pelo caráter e pela proclamação com a vida. Deus sabe “se virar”. Não precisamos “forçar a barra”. Ele não é incompetente nem o evangelho é uma tranqueira que precisa de artifícios desonestos. Ele precisa de quem viva sua palavra e não de quem a infle artificialmente.

A segunda questão é o que o evangelho é. Ele é conteúdo e não rótulo. Miolo, não casca. E se impõe pelo que é, pelo que diz, pelo que mostra, e não pelo adorno e enfeite que lhe damos. A igreja tem tornado o evangelho palatável aos homens, e muitas vezes lhe tira o conteúdo para vender um produto agradável. É a graça barata, a liturgia barata (e pobre, porque a liturgia atual é barulho e sacolejo com conteúdo paupérrimo), o testemunho barato, a vida fácil. Jesus não fez concessões. O evangelho não seria divulgado pelo pináculo, mas pela cruz.

O evangelho é cruz e não pináculo. Não a substitua por ele. Nem a leve para lá. Assuma-a. Proclame-a. Cruz, e não pináculo.

***
Fonte: www.pilb.blogspot.com

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5 COMENTÁRIOS

  1. Que maravilha. Esse tipo de argumento e interpretação, crítica e apologia, muito me agrada. Vivemos em dias em que, se não vigiarmos; se a igreja local não vigiar, corre-se o risco de cair nessas armadilhas teológicas e baratas, mas por ser atraente, está levando muitos anseosos pelo sucesso rápido. Nós, porém, vamos seguir as pisadas do mestre, alcançando assim, uma eternidade com o Senhor Jesus. Amém.

  2. Olá Adones.

    Sim, me lembro dos seus comentários, inclusive dos seus livros que foram enviados para duas editoras: uma era a CPAD e a outra não me lembro. Estive também dando uma olhada no seu blog de comentários e gostei muito do que vi por lá.

    Quanto à postagem, ela nos alerta sobre um grande perigo: o culto do “EU”. O orgulho, essa fortuna vã que termina no túmulo foi o primeiro pecado, e é o vicio predileto dos homens de Deus. Quantos líderes estão atirando-se do pináculo com o intuito de atrair as multidões? Mas Jesus disse: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” e segundo o apóstolo João, ele “dizia isso significando de que morte havia de morrer” (Jo 12.32-33). O pecador deve ser atraído pela cruz, e não por meio de artifícios humanos, psicologização barata e técnicas de persuasão.

    É por isso que continuarei lutando por um evangelho de Cruz, e não de pináculo, e sei que Deus tem levantado servos com essa mesma disposição, para lutarem por um cristianismo autêntico.

    Que Deus o abençoe ricamente em Cristo, e conte com as minhas intercessões;

    Leonardo G. Silva – Th.M.
    Dono do blog PULPITO CRISTÃO.

  3. A inapreensível e inconquistável apresentação do Deus dos Judeus, nas suas múltiplas formas de revelação, leva-nos a repensar o nosso “discurso”.
    A cada apreensão que fazemos, conhecemos umas de suas “faces”, sem chegarmos nunca a entender as inúmeras outras faces desse Deus.
    Como um paradoxo de linguagem, o lado obscuro de Deus, às vezes, denominamos de diabólico”. Como diabólico é tudo que foge a pequenez do nosso mundo de Saberes, a que rotulamos de “princípios”. Então, na busca de preencher o vazio do Sagrado, exterioriza-se em nós a “resistência” sob uma forma emocionalmente agressiva que nos fazem extrair pérolas como esta: “É diabólico porque foge aos nossos princípios”. Em defesa destes princípios ficamos presos a nossa “parentela”. Deixamos de caminhar, de conhecer outras paragens, outros rostos, outras faces de um Deus que é movimento e recriação.

    Para conhecer mais este Deus, precisamos sair do fosso que construímos com muros tão indevassáveis, como é a nossa resistência ao que é novo, ao que é diferente. Tenhamos a coragem de Abraão que, contra tudo, e contra todos, resolveu romper com o seu pequeno mundo e abrir-se para o desconhecido, preferindo o nomadismo de um Deus de “passagem”( palavra que está na raiz do nome Judeu), a ficar entranhado no aconchego do Lar, de horizontes tão curtos. Abraão não recusou, como não considerou “diabólico” conhecer um Deus fora dos seus domínios.
    No nosso imaginário vislumbramos aquele homem partindo para o desconhecido. Lágrimas para todos os cantos, e os seus amigos esperando-o sumir no horizonte, para depois sussurrarem de ouvido a ouvido, como se Deus não pudesse ouvir: “ Isto só pode ser coisa do diabo”.

    Não entendemos o agir de Deus, pois, às vezes esse agir é para nós um paradoxo. Se não tivermos discernimento, a nossa mente estreita pode nos levar fatalmente a confundir uma ação Divina com uma satânica.

    Cordialmente,

    Levi B. Santos

  4. É assustador perceber que alguém prega desse jeito, em cima do pináculo, analisando bem é o que muitos estão fazendo.

    Muitos, infelizmente, que estão na frente de ministérios, sucumbem ante às 3 tentaçãos, que o inimigo tentou infligir a JESUS.

    A maioria destes nem jejum fazem, muito menos de 40 dias; mas como eles sentem fome! E o inimigo sugere a eles que transformem as ovelhas em pães, e eles rapidamente obedecem ao inimigo com brilho nos olhos, imaginando todas as vantagens que tirarão das pobres ovelhas.

    Eles nem se lembram do que está escrito na Palavra de DEUS: "Ai dos pastores que devoram as minhas ovelhas como quem comesse pães!"
    Não ouvem as palavras que procedem da boca de DEUS.

    Fico admirada em como eles são transportados para a cidade santa e só agora percebi, pelo texto acima, que eles aceitam que o inimigo os coloquem sobre o pináculo do templo.

    Desafiando o própria DEUS, se sentindo o próprio filho de DEUS, como se DEUS e JESUS fossem propriedades de cada um desses ministros desavisados.

    Com a pregação inusitada de que mesmo se caissem do pináculo do templo, DEUS enviaria os seus anjos para livrá-los; que é DEUS quem os protege para que não tropecem com seus pés em pedra.

    E cada um desses ministros, desses falsos profetas já tropeçaram na pedra de esquina, na rocha angular que é o Senhor JESUS.

    O inimigo coloca cada um deles à prova com o que está escrito na Palavra de DEUS, e eles vão caindo a cada prova, juntamente com o inimigo, tentando o Senhor nosso DEUS.

    Quando o diabo transporta eles para um monte muito o alto, um lugar de destaque, mostrando a cada um deles tesouros, riquezas, todos os reinos do mundo, e a glória deles. Os olhos deles ficam esbugalhados e o coração mais que emocionado com tanta riqueza e tanta glória.

    Aí o diabo fala a cada um deles, de um por um: "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares."

    Nesse momento eles nem se lembram das palavras de JESUS; ao invés de mandar o diabo embora, Eles se curvam, se prostram diante do diabo e o adoram; e passam a servi-lo.

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