Púlpito sim, picadeiro não!

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Por Leonardo Gonçalves

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Faz alguns anos que, em um noticiario vespertino semanal, vi pela primeira vez um picadeiro dentro de uma igreja. A matéria falava acerca de alguns padres revolucionários que se vestiam de palhaço para atrair a atenção dos “fiéis”. Lembro que um deles improvisou um picadeiro junto ao púlpito e andava na corda bamba todos os domingos pela manhã. Em uma outra igreja, um clérigo dava “saltos mortais” antes de proferir a homilía, e é obvio que a frequencia aumentou consideravelmente.

Não é de hoje que a igreja católica usa estratégias estranhas para atrair discípulos para si, e qualquer um que já foi católico sabe que o que atrai as pessoas para as quermesses não é o sermão do padre e sim os grupos de axé, forró e pagode que se apresentam nessas “solenidades”, além – é claro – dos CDs piratas, do churrasquinho de gato, a cerveja gelada, o tiro ao alvo e todo tipo de entretenimento que é oferecido nas barraquinhas. Mas o que me entristece não é apenas a apostasia do catolicismo romano ou o aumento dessa apostasia nos círculos católicos, e sim a percepção de que há muito que o mesmo vem ocorrendo nos círculos evangélicos. O sermão expositivo tem perdido a importancia nas igrejas e nossos altares tem sido literalmente profanados. O púlpito já não é – como dizia João Calvino – o trono de Deus de onde o Ele governa a igreja, agora ele virou palco para apresentação dos auto-denominados “levitas” e suas músicas de auto ajuda que mais exaltam ao homem que a Deus. Basta prestar atenção na letra dos supostos “hinos” para perceber que o foco central não é Cristo, e sim o crente “forte, corajoso, destemido, ungido, protegido”, etc.,etc.

Embora ainda não tenha visto nenhum pastor vestido literalmente de palhaço como ocorria com os padres naquele noticiario, tenho visto muita gente fazendo palhaçada na igreja. Parece que o requisito para ser um bom pregador mudou: agora a vida de oração e o conhecimento das Escrituras não são o fator preponderante na ordenação de um ministro; é o carisma e a capacidade de interagir com o auditório.

Fico realmente absorto com a cara-de-pau desses pseudo-pregadores avivalistas, que são capazes de passar uma hora completa sem citar nenhum texto bíblico. Eles usam frases como “levanta a mão e dá glória”, “profetiza pro teu irmão”, e o famoso chavão “quem tem promessa não morre”, dissimulando assim a sua falta de conteúdo. Certa vez eu passei duas horas e meia sentado ouvindo um pregador imitar um leão: a cada cinco ou dez minutos ele dava uma “roncada” no microfone – com que finalidade, não sei. O mais triste de tudo foi ver muitos obreiros da casa compromissados com a ortodoxia, com bom conhecimento bíblico e bom testemunho entre os irmãos, sentados na tribuna como se fossem uma peça sem valor, enquanto o pregador (que ninguém sabia de onde era, um tipo meio Melquisedeque), sem nenhuma dessas qualificações, fazia a festa na “nossa casa”. Havia mais de cinco mil pessoas presentes, o que seria uma ótima oportunidade para apresentar o Cristo crucificado, ressurreto, glorioso e Salvador, mas o “pregador” passou todo o tempo repetindo chavões, de modo que quando foi feito o apelo, ninguém foi a frente receber a Cristo. Que feio!

Embora ainda jovem, sinto que sou parte de uma geração de pregadores que faz parte do passado, jurássicos, dinossáuricos, pré-diluvianos. Infelizmente os pregadores expositivos, que pregam todo o conselho de Deus e que primam por uma boa ortodoxia, e consequentemente uma melhor ortopraxia, são peças de museu. Por outro lado, assim como a droga – que é facilmente encontrada na esquina – os pregadores shows são abundantes no mercado. Sim, eu disse mercado, porque a indústria do entretenimento evangélico tem movimentado milhões. Os pregadores do momento, com suas roupas extravagantes e suas mensagem esquisitas cobram o olho da cara para apresentar suas performances, e o dinheiro que poderia ser investido em novas congregações, em salário para os obreiros locais ou em ajuda missionária acaba indo parar na mão desses irresponsáveis pregadores de modismos.

AINDA não soube de nenhuma igreja evangélica que tenha armado um picadeiro no púlpito literalmente, figuradamente posso dizer que tem muito pregador palhaço por aí andando na corda bamba, fazendo contorcionismo exegético e tratando levianamente um tão “respeitável público”, o povo de Deus. Assim como nas quermesses que eu frequentava antigamente, nos nossos congressos é possivel encontrar grupos de axé, forró ou de pagode, além das famosas bararquinhas com seus CDs piratas e churrasquinho de gato. Só falta mesmo algum “irmão maluco” vendendo cervejinha pra moçada. Esse é o triste quadro do protestantismo brasileiro. Como diria o telejornalista Boris Casói: “Isto é uma vergonha”.
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6 COMENTÁRIOS

  1. achei muito interessante esse assunto sobre púlpito e picadeiro,
    e pode ter certeza, existe muitos se desdobrando em cima do altar pra cativar o povo, que corre de um lado pro outro sem paradeiro certo.

  2. Infelizmente essa triste realidade existe.
    Mas, como eu disse ao pastor Roberto Aguiar, PIOR ainda é ver crente idolatrando profeta, esperando-o na igreja com tamanha expectativa que parecia até que aguardavam o Messias…
    Quer saber Leonardo? ABOMINO crente “kodak” (sempre a espera de revelação)
    ABOMINO a teologia da prosperidade, essa barganha vergonhosa de toma-lá-dá-cá.
    Deus não é um Deus de justiça? Se merecemos ele abençoa e ponto final. Se não estamos prontos para receber a benção, a cura, que esperemos! Confiamos ou não???
    Servimos por AMOR ou interesse?

    *Animador de auditório é um papel triste e FEIO para um homem que se auto denomina “de Deus”

    Mas… tem bobo para tudo nesse mundo, inclusive bobo da corte…

    Abraço carinhoso!

  3. Acredito que dar brilho ao culto público é necessário, mas estas “ondas” todas passam. Se se prega a Palavra, esta, passará para a próxima geração e para a próxima…Poi, a boa palavra permanece patra sempre.
    Rev.Walmir Alves – IPI do Brasil

  4. Em julho de 1991, quando fui levada a um evento gospel, o que eu nem sabia o que era. Foi no Parque da Cidade em Brasília/DF.

    Foi um Evento organizados por várias igrejas evangélicas, ía ter pregadores, mas o destaque eram as apresentações musicais.

    Eu nunca tinha visto nada daquilo. DEUS estava me pegando. O que me tocou naquele lugar foi o fato deles serem tão diferentes, pela maneira de se vestirem eu via, mas estava reunidaods em um evento.

    E Estavam reclamando, os da Assembléia insatisfeitos por causa das músicas, os outros insatifeitos com a seriedade dos assembleianos.

    Foi isso o que me tocou, eles serem tão diferentes e estarem ali juntos. Por causa disso comecei a frequentar um grupo familiar.

    Porque eu sempre fui uma pessoa tão diferente, que nunca fui aceita por ninguém, à não ser pela minha família que sempre me amou demais.

  5. o que mais me deixa indignado são os pregadores da prosperidade sem base biblica usando versiculos isolados fora de seu contesto,pensava que estava acabando os que amam a verdadeira pregação do evangelho o que passar disso seja anatema..

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